8 de maio de 2014

Dia Mundial do Cancro do Ovário                                                                                 
Os ovários são glândulas reprodutivas do sexo feminino que produzem os óvulos (gâmeta feminino) e sendo também responsáveis pela produção de estrogénio e progesterona. Cada mulher tem dois ovários, um em cada lado do útero. Deste modo, o cancro do ovário pode ser uni ou bilateral, sendo este maioritariamente de origem epitelial, isto é, localizado na superfície ovariana (American Cancer Society, 2011; Mantese, 2008). Esta patologia é responsável por 4% dos cancros que ocorrem na mulher, sendo a neoplasia dos tumores ginecológicos que com mais frequência conduz à morte na mulher. Este aspeto deve-se essencialmente à deteção tardia deste tumor  (American Cancer Society, 2011; Bower, & Waxman, 2006; Mantese, 2008).
Em termos dos principais fatores de risco surgem os aspetos genéticos como bastante relevantes, o facto de não ter tido filhos, a idade (mais frequente em idades mais avançadas), obesidade, entre outros (American Cancer Society, 2011; Bower, & Waxman, 2006; Mantese, 2008). A sintomatologia comummente relaciona-se com sensação de peso no baixo-ventre, distensão e dor abdominal, problemas gastrointestinais, aumento da frequência urinária, sangramento pós-menopáusico e perda de peso num pequeno espaço de tempo (Bower, & Waxman, 2006; Mantese, 2008).
A cirurgia, a quimioterapia adjuvante e a terapia hormonal são os tratamentos mais frequentemente utilizados para o tratamento do cancro do ovário (American Cancer Society, 2011; Bower, & Waxman, 2006; Mantese, 2008). Quanto ao prognóstico, pacientes com cancro do ovário em estádios menores (IA, IB) apresentam 95% de sobrevivência, já em estádios intermediários (IC) é um pouco mais variável indicando a probabilidade de 63% de sobrevivência até cinco anos. Já as pacientes que evidenciam um desenvolvimento tumoral mais avançado têm menores taxas de sobrevivência sendo de 30% para cinco anos. Percebe-se também que quanto mais cedo for efetuado o diagnóstico, mais elevadas são as taxas de sobrevivência (Bower, & Waxman,2006).

Referências bibliográficas:
American Cancer Society (2011). Learn about cancer. Consultado em Outubro 8, 2012 do sítio da Web: http://www.cancer.org/cancer/index
Bower, M., & Waxman, J. (2006). Compêndio de oncologia. Lisboa: Instituto Piaget.

Mantese, J. C. (2008). Câncer ginecológico: ovário, útero e vagina. In V. A. Carvalho, etal. (Eds.), Temas em Psico-Oncologia (pp. 59-66). São Paulo: Summus.

7 de abril de 2014

Dia Mundial da Saúde         
Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS, 1948 citado por Ribeiro, 2005) Saúde define-se como sendo um estado de bem-estar físico, mental e social, não se cingindo, por isso, à ausência de doença, ou de incapacidade. Nesta definição está assim implícito e/ou explícito que a saúde se relaciona: (1) com o estado habitual dos indivíduos, estando inerente a capacidade das pessoas executar tarefas com sucesso (ex. comer, fazer exercício, relaxar, relacionar-se com os outros); (2) não é unicamente um estado de ausência de doença; (3) exprime-se através do bem-estar e da funcionalidade; (4) contempla a dimensão mental, social e física, de forma holística e sistémica; (5) está inscrita num contínuo temporal dinâmico, flutuando assim como resposta adaptativa às exigências percebidas pelo indivíduo; (6) uma autoavaliação de bem-estar, isto é, a perceção que o indivíduo faz sobre como se sente; (7) e ainda que a sua debilidade ocorre quando o indivíduo não sente energia suficiente para fazer face às exigências da vida do dia-a-dia e manter um sentimento de equilíbrio e de harmonia (Ribeiro, 2005).
A Psico-Oncologia enquanto ramo da Psicologia em termos latos tem como fundamento a promoção de saúde, tendo por base a definição de Saúde apontada pela OMS. Esta promoção da saúde decorre assim através da prevenção primária pela procura de alteração da suscetibilidade por redução da exposição a fatores de risco diminuindo a probabilidade dos indivíduos desenvolverem o problema (ex. ações de educação e promoção da saúde e projetos de prevenção do cancro); na secundária pela tentativa de deteção, diagnóstico e tratamento da doença numa fase tão mais precoce quanto possível (ex. promoção da adesão aos rastreios oncológicos); e na prevenção terciária porque apesar de, por comparação com os níveis anteriores, “aqui” a doença já estar “instalada”, a intervenção é crucial para o restabelecimento do funcionamento e a melhoria da qualidade de vida (ex. realização de consulta de apoio psicológico) (Mausner & Kramer, 1984 citado por Ribeiro, 2005). Desta forma, também a Psico-Oncologia se reveste como uma ciência que tem um contributo importante para o campo da Saúde.
Porém, o maior cientista sobre a sua Saúde é sem sombra de dúvida cada um de vocês, por isso vigie o seu corpo e vá fazendo check-ups regulares, tal como procure um estilo de vida saudável!   

Referências Bibliográficas:

Ribeiro, J. (2005). Introdução à Psicologia da Saúde. Coimbra: Quarteto.

15 de fevereiro de 2014

Dia Internacional da Criança com Cancro                 
Apesar dos vários avanços na área da oncologia em termos da melhoria dos tratamentos, da taxa de sobrevivência dos doentes e dos cuidados prestados aos mesmos, a verdade é que ainda hoje o diagnóstico de cancro é com regularidade associado à inevitabilidade da morte e a sentimentos mais negativos (Malta, Schall, & Modena, 2008). O cancro pediátrico como sendo uma realidade comum e que cada vez mais famílias ultrapassam (Fletcher, 2010; Godinho, 2010; Terracini, 2011) não é exceção. Este acontecimento de vida requer uma readaptação e ajustamento a uma nova realidade conduzindo a um conjunto alargado de transformações psicossociais significativas (ex. alteração das suas rotinas, comportamentos alimentares e de higiene) o que conduz com frequência a um desgaste físico e emocional (Kohlsdorf, & Junior, 2012). Ainda assim, o recurso ao acompanhamento psicológico é pouco procurado pelos implicados no processo (ex. criança, pais e familiares), podendo este ter aqui um papel fundamental na mediação destes sentimentos, pelo esclarecimento de algumas dúvidas, pela facilitação da expressão emocional e atenuação da mesma, tal como pelo auxílio no desenvolvimento de estratégias que possam permitir a resolução de problemas.

Figura 1 -  Imagem divulgada pela Associação ACREDITAR para sensibilização da
população para a temática do Cancro Infantil

Referências bibliográficas:
Fletcher, P. C. (2010). My child has cancer: the costs of mothers' experiences of having a child with pediatric cancer. Issues in Comprehensive Pediatric Nursing, 33, 164-184. Doi: 10.3109/01460862.2010.498698
Godinho, F. A. F. (2010). Efeitos a médio/longo prazo da doença oncológica na infância e adolescência. Dissertação de Mestrado em Oncologia Pediátrica, Faculdade de Medicina da Universidade do Porto, Porto, Portugal.
Kohlsdorf, M., & Junior, Á. (2012). Impacto psicossocial do câncer pediátrico para pais: revisão da literatura. Paidéia, 22 (51), 119-129.
Malta, J. D. S., Schall, V. T., &, Modena, C. M. (2008). Câncer pediátrico: o olhar da família/cuidadores. Pediatria Moderna, 44 (3), 114-118.
Terracini, B. (2011). Epidemiology of childhood cancer. Environmental Health, 10 (1), 1-3. Doi: 10.1186/1476-069X-10-S1-S8

4 de fevereiro de 2014

Dia Mundial Contra o Cancro                             
Como se tem vindo a constatar ao longo dos anos, nos países industrializados o cancro é uma das principais causas de morte, tornando-se assim um foco de grande atenção e cuidado (Pinheiro, Tyczynsky, Bray, Amado, Matos, & Parkin, 2003; Pimentel, 2006; Ribeiro, 2005). Inclusive tem-se verificado um progressivo aumento da incidência e mortalidade devido ao cancro (Davide, 2009; Pimentel, 2006). Portugal faz parte do grupo de países que nos últimos anos sofreu grandes alterações ao nível do estilo de vida, o que acabou por fazer emergir a adoção de alguns hábitos mais favoráveis ao desenvolvimento de cancro (Pinheiro, Tyczynsky, Bray, Amado, Matos, & Parkin, 2003; Pimentel, 2006). Segundo Pimentel (2006), em 25 estados membros da União Europeia, no ano 2000 foram confirmados 1.122.000 mortos por cancro, sendo esperado para 2015 um aumento de 283 mil novos diagnósticos e em 2020 aproximadamente 20 milhões de novos casos diagnosticados. De modo bastante semelhante, em Portugal o cancro também tem registado anualmente entre 40 a 45 mil novos diagnósticos, com uma pequena prevalência no sexo masculino (Davide, 2009; Pimentel, 2006). Em termos dos tipos de cancro mais comuns, o cancro coloretal surge como o principal, seguindo-se o cancro da próstata, da mama, do pulmão e do estômago (Borja-Santos & Piteira, 2014; Ribeiro, & Ramos, 2002 citado por Pimentel, 2006 - cf. Figura 1).
Considerando a probabilidade de um indivíduo desenvolver algum cancro ao longo da sua vida estima-se para Portugal, à semelhança da União Europeia, um risco de 50% sendo que a possibilidade de ser esta a causa de morte de 25% (Pimentel, 2006). Apesar de se ter confirmado um ligeiro decréscimo em alguns tumores (cancro do estômago, mieloma múltiplo, cancro da próstata, do pulmão e do cólon e recto), em Portugal, as taxas de mortalidade ainda permanecem elevadas e com tendência para aumentar, o que é preocupante (Davide, 2009). Em 2005, registaram-se 107.839 mortes na população portuguesa, sendo que 21,5% foram causadas por cancro, apenas as doenças cardiovasculares com 34% de incidência superaram a doença oncológica (Davide, 2009). Relativamente aos distritos onde se constata uma maior taxa de mortalidade por cancro são Beja, Setúbal, Lisboa, Porto e Viana do Castelo. Estima-se também que até 2020, a incidência de cancro possa aumentar cerca de 20% (Davide, 2009).
Figura 1 -  Incidência e mortalidade por cancro em Portugal (Borja-Santos & Piteira, 2014)

Referências Bibliográficas:
Borja-Santos, R., & Piteira, S. (2014). Cancro em Portugal. Consultado em Fevereiro 4, 2014 do sítio da Web: http://www.publico.pt/multimedia/infografia/cancro-em-portugal-114
Davide, J. (2009). Estatísticas do cancro. Consultado em Outubro 10, 2012 do sítio da Web: http://www.alert.pt/pt/medical-guide/estatisticas-do-cancro
Pinheiro, P. S., Tycynski, J. E., Bray, F., Amado, J. Matos, E., & Parkin, D. M. (2003). Cancer incidence and mortality in Portugal. European Journal of Cancer, 39, 2507–2520. DOI: 10.1016/S0959-8049(03)00570-7
Pimentel, F. L. (2006). Qualidade de vida e oncologia. Coimbra: Almedina.

22 de janeiro de 2014

Cancro do pulmão e mesotelioma pleural            
Os pulmões são um par de órgãos em forma de cone responsáveis pelas trocas efetuadas ao nível da respiração. Estes são revestidos por uma pequena membrana que se designa de pleura. Existem três tipos principais de tumores, os tumores de pequenas células, os tumores de não pequenas células e o mesotelioma pleural consoante o local e as células envolvidas no seu desenvolvimento. Os cancros do pulmão (todos os tipos de tumores malignos) são o segundo cancro mais comum tanto em homens como mulheres (American Cancer Society, 2011).

Tumores do pulmão de pequenas células
O cancro do pulmão de pequenas células desenvolve-se nos brônquios centrais e cresce mais rapidamente, tendo maiores probabilidades de se metastizar para outros órgãos (American Cancer Society, 2011; Portal de Oncologia Português, 2012; The Oncology Institute of Hope and Inovation, 2007). Com grande regularidade, numa fase inicial da doença, este cancro é assintomático e, por esta razão, quando detetado (na maioria das vezes) já se encontra numa fase bastante avançada. Ainda assim os principais sintomas relacionam-se com uma tosse ou rouquidão persistente, falta de ar, dor no peito, expetoração com expulsão de sangue, nódulos ou inchaço da face e do pescoço, perda de apetite, perda de peso sem motivo aparente, cansaço e fadiga anormal, infeções respiratórias repetidas, entre outros. Os exames de diagnóstico mais frequentes relacionam-se com as radiografias, biopsia pulmonar e a broncoscopia (American Cancer Society, 2011; Bower, & Waxman, 2006; Gampbel, 2008; Portal de Oncologia Português, 2012; The Oncology Institute of Hope and Inovation, 2007).  
O consumo de tabaco é sem sombra de dúvida o principal fator envolvido no desenvolvimento deste tipo de cancro (responsável por aproximadamente 85% dos casos), seguindo-se outros fatores como a exposição a asbestos e metais pesados, poluição do ar e poluição industrial (American Cancer Society, 2011; Bower, & Waxman, 2006; Gampbel, 2008; Portal de Oncologia Português, 2012; The Oncology Institute of Hope and Inovation, 2007).
Como referido anteriormente, este tipo de cancro tende a difundir-se rapidamente tornando-se a cirurgia uma opção de tratamento pouco indicada. Sendo neste caso mais frequente o recurso a quimioterapia, uma vez que, estas células parecem ser mais sensíveis a esta intervenção (American Cancer Society, 2011; Bower, & Waxman, 2006; Gampbel, 2008).

Tumores do pulmão de não pequenas células
O tumor do pulmão de não pequenas células é o cancro do pulmão mais frequente sendo responsável por 85 a 90% dos casos. Este é constituído por alguns subtipos consoante as células onde se desenvolvem, assim temos: o carcinoma de células escamosas ou carcinoma epidermoide (cerca de 25 a 30% de incidência), o adenocarcinoma (cerca de 40% de incidência) e o carcinoma das grandes células (10-15% de incidência). Tendo em conta os principais sintomas e fatores de risco para o desenvolvimento deste tipo de cancro estes são semelhantes ao cancro do pulmão das pequenas células (Bower, & Waxman, 2006).
Tal como constatamos no cancro do pulmão das pequenas células estes tipos de cancro difundem-se rapidamente o que torna a cirurgia uma opção de tratamento pouco indicada. Nestes casos é mais frequente o recurso à radioterapia. Já a quimioterapia tem um impacto menor neste tipo de tumor, sendo por isso menos recorrente (Bower, & Waxman, 2006).

Mesotelioma Pleural 
O mesotelioma maligno é um cancro que se desenvolve nas células que revestem alguns órgãos do nosso organismo, especialmente no peito ou no abdômen. O revestimento constituído por este tipo de células designa-se de mesotélio. Este ajuda a proteger os órgãos, produzindo um líquido lubrificante especial que permite o movimento dos órgãos (ex. nos pulmões este fluido torna mais fácil o movimento no interior do tórax para efetuarmos a respiração). Deste modo, o cancro no mesotelioma pleural relaciona-se com o desenvolvimento de células cancerígenas nas células que revestem os pulmões (American Cancer Society, 2011).
Os pacientes apresentam como sintomas frequentes efusões pleurais, dor na parte inferior das costas ou no lado do peito, falta de ar, tosse, febre, transpiração, fadiga, perda de peso, dificuldade em engolir, rouquidão, tal como inchaço do rosto e dos braços. Sendo que a forma mais eficaz de diagnóstico a radiografia ao tórax, podendo posteriormente recorrer-se a uma biopsia pleural (American Cancer Society, 2011; Bower, & Waxman, 2006).
Quanto ao tratamento para esta patologia estes são limitados, uma vez que, a quimioterapia é ineficaz e a radioterapia só é útil no controlo da dor. Assim, recorre-se com frequência a múltiplas pleuroses (procedimento realizado para gerar uma obliteração artificial do espaço pleural) – Bower, & Waxman, 2006.

Referências bibliográficas:
American Cancer Society (2011). Learn about cancer. Consultado em Outubro 8, 2012 do sítio da Web: http://www.cancer.org/cancer/index
Bower, M., & Waxman, J. (2006) Compêndio de oncologia. Lisboa: Instituto Piaget.
Gampbel, O. (2008). Câncer do pulmão. In V. A. Carvalho, et. al. (Eds.), Temas em Psico-Oncologia (pp. 130-133). São Paulo: Summus.
Portal de Oncologia Português (2012). O que é o cancro? Como tem origem o cancro? Consultado em Outubro 18, 2012 do sítio da Web: http://www.pop.eu.com/portal/publico-geral/o-cancro2.html
The Oncology Institute of Hope and Innovation (2007). Types of cancer. Consultado em Outubro 8, 2012, do sítio da Web: http://theoncologyinstitute.com/?pgid=10&parid=0&rid=10&lang=1  

16 de dezembro de 2013

Um olhar sobre os profissionais de saúde                                              
Ao longo da nossa vida e do nosso quotidiano é comum cuidarmos de alguém, ora dos nossos pais, ora dos nossos amigos, ora dos nossos companheiros, ora dos nossos filhos ou mesmo através da profissão ou ação de voluntariado de um conjunto alargado de indivíduos. Como podemos facilmente compreender quando falamos de cuidado temos inerente, desde logo, a existência de uma pessoa que assume o papel de cuidador e de outra que assume o papel de cuidado, sendo que cada um dos elementos da relação tem as suas singularidades (Liberato, & Carvalho, 2008), levantando-se, não raras vezes, a questão: “então e quem é que cuida do cuidador?”.
Quando transportamos esta questão para a doença oncológica, percebemos que, comummente, as atenções tendem a estar (mais) focadas no apoio ao doente, ao cuidado, e menos ao cuidador (Liberato, & Carvalho, 2008). Contudo, este último também sofre, uma vez que, todos aqueles que lidam direta ou indiretamente com o doente tendem a “vivenciar” o mesmo processo, ainda que, de forma paralela (Pereira & Lopes, 2005).
E os profissionais de saúde constituem um verdadeiro exemplo disso! Enquanto equipa que trabalha constantemente com o doente oncológico, estes elementos precisam de atenção pois, além de estarem sujeitos, diariamente, a um conjunto de exigências instrumentais e emocionais, lidam com uma grande pressão psicológica. Assistem ao desespero, ao sofrimento físico, ao medo, à proximidade da morte, à injustiça, ao sentimento de revolta, ao inadiável fim da vida, a um conjunto alargado de sentimentos intensos manifestados pelos doentes oncológicos (Liberato, & Carvalho, 2008). Parecendo assim evidente que, por muito que se procure o chamado “alheamento” técnico, dificilmente alguém conseguirá ficar absolutamente indiferente a todos estes sentimentos manifestos pelo outro que, em tantos momentos, se nos torna tão próximo (Liberato, & Carvalho, 2008). Deste modo, segundo a literatura, acredita-se que à semelhança do próprio doente oncológico, a expressão emocional do profissional se revela como um aspeto fundamental (Liberato, & Carvalho, 2008), na medida em que, funciona como fator protetor na prevenção da origem e desenvolvimento de algumas problemáticas, hoje já tão frequentes, como são exemplo, o esgotamento psicológico e o síndrome burnout.

Referências bibliográficas:
Liberato, R. P., & Carvalho, V. A. (2008). Estresse e síndrome de burnout em equipas que cuidam de pacientes com câncer: cuidando do cuidador profissional. In V. A. Carvalho, et. al. (Eds.), Temas em Psico-Oncologia (pp. 556-571). São Paulo: Summus.
Pereira, M. G., & Lopes, C. (2005). O doente oncológico e a sua família. Lisboa: Climepsi editores.

11 de setembro de 2013

Cancro da mama                                             
O cancro da mama é das neoplasias malignas mais frequentes atualmente (Costa, 2004 citado por Melo, Leal, & Maroco, 2006). Ainda assim, a maioria das pessoas com cancros detetados numa fase inicial do seu desenvolvimento sobrevive pelo menos cinco anos (American Câncer Society, 2001 citado por Tonich, & Helgeson, 2004), ou seja, apenas um terço das mulheres diagnosticadas com cancro da mama morrem da doença (American Câncer Society, 2010 citado por Oktay, Bellin, Scarvalone, Appling, & Helzlsouer, 2011). No entanto, o cancro da mama continua a ser “de longe a forma de cancro e a causa de morte mais comum nas mulheres” (Ogden, 2004, p. 23). A idade é o maior fator de risco, sendo que a probabilidade de desenvolver cancro da mama aumenta à medida que as mulheres envelhecem. A exposição prolongada ao estrogénio, como o início precoce da menstruação (antes dos 12 anos), o início tardio da menopausa (depois dos 55 anos), a idade tardia do primeiro parto (30 anos ou mais), nunca ter tido filhos, ou o excesso de peso depois da menopausa, são outros fatores de risco (Ogden, 2004). Contudo, apesar de a investigação ter identificado estes fatores de risco, as equipas médicas especializadas (até ao momento) ainda não são conseguem detetar se uma mulher desenvolverá cancro da mama. 
É importante referir que apesar de ser mais frequente este cancro surgir nas mulheres, não se pode ignorar a evidência de que também ocorre nos homens, ainda que com uma menor incidência.
Existem dois tipos principais de cancro da mama: os não invasivos (cancros restringidos aos ductos ou lóbulos (constituintes da mama), que não se espalharam para além da camada de tecido onde se desenvolveram) e os invasivos (cancros que começaram a espalhar-se para o tecido circundante) – Ogden, 2004.
Em termos de diagnóstico considera-se que existem quatros estádios de diagnóstico (Holland, 1998b; Passos Coelho, 2006; Wittekind et al., 2005 citado por Patrão, 2007). No primeiro estádio, ainda não há extensão da doença além da mama e o tumor não tem mais de 2 centímetros de tamanho. O segundo carateriza-se pela existência de metástases nos gânglios linfáticos móveis e o tamanho do tumor situa-se entre os 2 e os 5 centímetros. Já no terceiro estádio, o tumor tem mais do que 5 centímetros e verificam-se metástases nos gânglios linfáticos. Por fim, o quarto estádio caracteriza-se pela existência de um tumor com qualquer tamanho e com extensão direta à parede torácica ou à pele, havendo metástases noutros órgãos. À medida que os estádios progridem, o prognóstico piora (Patrão, 2007).
As opções de tratamento passam pela cirurgia, radioterapia, quimioterapia, terapia hormonal e imunoterapia, podendo os tratamentos serem locais ou sistémicos. A cirurgia e a radioterapia são tratamentos locais, usados para remover, destruir ou controlar as células cancerosas de uma área específica; a quimioterapia e as terapias hormonais e biológicas são tratamentos sistémicos usados para destruir ou controlar as células cancerosas em todo o corpo (Bower, & Waxman, 2006; Ogden, 2004). No caso da cirurgia, pode optar-se pela nodulectomia (é removido apenas o nódulo canceroso), pela quadrantectomia (é removido um quarto de mama), ou pela mastectomia (toda a mama é removida). Quanto à reconstrução da mama, algumas mulheres querem a reconstrução imediata da mesma (através da inserção de implantes), enquanto que outras querem evitar mais uma operação e satisfazem-se com o uso de próteses no lado vazio do sutiã (Ogden, 2004).

Referências Bibliográficas:
Bower, M., & Waxman, J. (2006) Compêndio de oncologia. Lisboa: Instituto Piaget.
Melo, V., Leal, I., & Maroco, J. (2006). Estudo preliminar de um questionário de PTSD em mulheres sobreviventes de cancro da mama. In I. Leal, J. P. Ribeiro, & S. N. Jesus (Eds.), Saúde, bem-estar e qualidade de vida: actas do 6º congresso nacional de psicologia da saúde (pp. 407 – 413). Faro: Instituto Superior de Psicologia Aplicada.
Ogden, J. (2004). Compreender o cancro da mama. Lisboa: Climepsi Editores.
Oktay, J. S., Bellin, M. H., Scarvalone, S., Appling, S., & Helzlsouer, H. J. (2011). Managing the impact of posttreatment fatigue on the family: breast cancer survivors share their experiences. Families, Systems, & Health, 29, 2, 127–137. DOI: 10.1037/a0023947
Patrão, I. (2007). O ciclo psico-oncológico no cancro da mama: estudo do impacto psicossocial do diagnóstico e dos tratamentos [versão online]. Lisboa: Universidade Nova de Lisboa Instituto Superior Psicologia Aplicada. Tese de doutoramento.
Tomich, P. L., & Helgeson, V. S. (2004). Is finding something good in the bad always good? benefit finding among women with breast cancer. Health Psychology, 23, 1, 16-23. DOI: 10.1037/0278-6133.23.1.16

11 de julho de 2013

Intervenção psicológica no luto em oncologia                      
A palavra luto deriva do latim “luctus”, que significa “dor, pesar, aflição”. Apesar de ser na sua maioria das vezes associada apenas à reação perante a morte de um ente querido, o luto engloba também outro tipo de perdas, como separações familiares, o fim de uma relação amorosa ou a perda do estatuto de pessoa saudável devido ao diagnóstico de uma doença grave.
Perante o diagnóstico de cancro, o doente entra habitualmente num processo de luto pela perda da sua funcionalidade e autonomia, dos seus sonhos e esperanças e de um futuro com os seus entes queridos (Rando, 1986). Quando a doença progride até ao momento em que não existe a possibilidade de cura, o doente oncológico e os seus familiares enfrentam também um luto antecipatório, que diz respeito ao total de reações cognitivas, afetivas, sociais e culturais a uma morte esperada (Knott & Wild, 1986; Rando, 2000). Aqui, o doente terá que se adaptar a uma série de mudanças emocionais, sociais, espirituais, físicas, cognitivas e comportamentais, designadamente, reconhecer e adaptar-se às múltiplas perdas, pensar constantemente sobre o passado, desvincular-se da família e amigos e passar por períodos de tristeza, choro ou ansiedade (Periyakoil & Hallenbeck, 2002). Por sua vez, a família deverá partilhar entre si conhecimentos sobre a realidade de uma morte próxima e a experiência da dor do luto (Rosen, 1990). Além disso, a família fará nesta altura uma reorganização do sistema familiar e os seus objetivos serão também redirecionados.
O luto é vivenciado pelas pessoas de diferentes formas, na sua expressão e duração. Contudo, a literatura sobre o tema sugere que a maioria dos indivíduos demora entre um a dois anos a recuperar do processo de luto – considera-se que este processo foi bem resolvido quando a pessoa enlutada consegue falar no ente querido sem sentir dor, reajustar-se a um ambiente do qual o falecido já não faz parte e estabelecer novos vínculos com outras pessoas (Parkes, 1971; Stroebe, Stroebe & Domittner, 1988; Worden, 2003). Além disso, no período de um ano o indivíduo enlutado passa por todas as festividades e acontecimentos significativos na família (ex. aniversários, Natal, Páscoa, entre outros), pelo que habitualmente a pessoa não recupera o seu funcionamento habitual num período de tempo inferior a este.
Em suma, as reações ao luto são muito diversas e a maioria das pessoas não regressa à normalidade num período inferior a 12 meses. Além disso, e principalmente na doença oncológica, o processo de luto inicia-se muitas vezes antes da morte efetiva, pelo que as pessoas necessitam de tempo e espaço para se adaptarem a uma nova realidade. Aqui, os profissionais de saúde têm um papel preponderante, ao avaliarem a necessidade de um acompanhamento psicológico e/ou psiquiátrico ao doente e/ou aos seus familiares.

Por Susana Carvalho
Mestre em Psicologia Clínica e da Saúde pela  Faculdade de Psicologia e de Ciências da Educação da Universidade do Porto, Estagiária Profissional na Unidade de Psico-Oncologia da Liga Portuguesa Contra o Cancro  - Núcleo Regional do Norte.

Referências:
Knott, J., & Wild, E. (1986). Anticipatory grief and reinvestment. In T. Rando (ed.), Loss and Anticipatory Grief (pp. 55-60). New York: Lexington Books.
Parkes, C. (1971). The first year of bereavement. A longitudinal study of the reaction of London widows to the death of their husbands. Psychiatry, 33, 444–67.
Periyakoil, V., & Hallenbeck, J. (2002). Identifying and managing preparatory grief and depression at the end of life. American Family Physician, 65, 883–890, 897–898.
Rando, T. (1986). A comprehensive analysis of anticipatory grief: perspectives, processes, promises, and problems. In T. Rando (ed.), Loss and Anticipatory Grief (pp. 3-37). Massachusetts: Lexington Books.
Rando, T. (2000). Anticipatory mourning: what it is and why we need to study it. In T. Rando (ed.), Clinical Dimensions of Anticipatory Mourning: Theory and Practice in Working with the Dying, their Loved Ones, and their Caregivers (pp. 17-50). USA: Research Press.
Rosen, E. (1990). Families Facing Death: Family Dynamics of Terminal Illness. Massachusetts: Lexington Books.
Stroebe, W., Stroebe, M., Domittner, G. (1988). Individual and situational differences in recovery from bereavement: a risk group identified. Journal of Social Issues, 44, 143–58.
Worden, J. (2003). Grief counseling and grief therapy: a handbook for the mental health practitioner. New York: Brunner- Routledge.

15 de maio de 2013

Cancro colo-retal                                                      
O cólon e o reto são parte integrante do sistema digestivo. A função do sistema digestivo relaciona-se com o processamento e remoção dos nutrientes (ex. vitaminas) a partir dos alimentos, assim como com a eliminação dos resíduos desnecessários. Este sistema é então composto pelo esófago, estômago e intestinos delgado e grosso. A primeira parte do intestino é designada de intestino grosso ou cólon, já a parte posterior designa-se de reto e canal anal (cf. Figura 1).

Figura 1 - Constituição do intestino

Uma grande maioria dos cancros colo-retais desenvolvem-se lentamente e ao longo de vários anos, sendo que antes da existência de um cancro há, com frequência, o crescimento de um tecido no revestimento interno do cólon ou do reto, os designados pólipos não cancerosos. Alguns destes pólipos podem transformar-se em cancro, de notar que nem sempre tal acontece. Quanto às metástases há a possibilidade de as células cancerosas passarem para a corrente sanguínea ou para os vasos linfáticos (pequenos canais que carregam resíduos e líquidos) e desta forma instalarem-se noutras partes do corpo (ex. fígado) – American Cancer Society, 2011. Este tipo de cancro é uma das principais causas de morbidade no ocidente, sendo a terceira causa de morte em todo o mundo. Em Portugal, este cancro corresponde à segunda forma de cancro mais comum, com maior incidência nos homens (Bower, & Waxman, 2006; Evangelista, 2008; Portal de Oncologia Português, 2012).
Relativamente aos fatores que estão associados à origem deste cancro encontra-se o diagnóstico de colite ulcerosa, alguns fatores genéticos (polipose adenomatosa familiar e cancro colo-retal hereditário sem polipose), uma dieta alimentar baseada no consumo de carnes vermelhas, bem como o consumo de tabaco e de álcool. Estes pacientes em termos de sintomas apresentam um histórico de alterações de hábitos intestinais, sangramento retal, perda de peso e dores abdominais. Quanto aos exames de diagnóstico e prevenção é fundamental a colonoscopia, endoscopia, exame retal, testes sanguíneos, radiografia torácica, testes de função renal e hepática (American Cancer Society, 2011; Bower, & Waxman, 2006; Evangelista, 2008).
Ao nível dos tratamentos, à semelhança de outros cancros surge como fundamental a cirurgia (colectomia ou resseção abdominoperitoneal), em que o tumor é retirado juntamente com uma boa parte de tecido normal. Além disso, o tipo de cirurgia deve ser definido consoante o tumor e a sua localização. Os tumores com uma porção superior e da parte média do reto devem ser tratados com resseção anterior, já as lesões na parte inferior do reto devem ser tratadas por resseção abdominoperineal que requer uma colostomia permanente. Em termos das consequências da cirurgia pode surgir disfunção da bexiga, tal como disfunções sexuais nos homens (ejaculação retardada e impotência erétil). Sobre os tratamentos adjuvantes são recorrentes a quimioterapia e a radioterapia (Bower, & Waxman, 2006).

Referências bibliográficas:

American Cancer Society (2011). Learn about cancer. Consultado em Outubro 8, 2012 do sítio da Web: http://www.cancer.org/cancer/index
Bower, M., & Waxman, J. (2006) Compêndio de oncologia. Lisboa: Instituto Piaget.
Evangelista, J. (2008). Câncer Gastrointestinal. In V. Carvalho, et. al. (Eds.), Temas em Psico-Oncologia. São Paulo: Summus.
Portal de Oncologia Português (2012). O que é o cancro? Como tem origem o cancro? Consultado em Outubro 18, 2012 do sítio da Web: http://www.pop.eu.com/portal/publico-geral/o-cancro2.html

9 de abril de 2013


As vivências do casal face à doença oncológica                                                                 
Os acontecimentos de vida catastróficos desafiam os processos de assimilação e acomodação dos casais, como tal, até as relações românticas com bom funcionamento podem ser afetadas quando enfrentam uma situação de doença (Fergus, & Gray, 2009).
Assim, como resultado do diagnóstico e tratamento de uma doença oncológica, os casais enfrentam variados agentes stressores designadamente a renegociação de papéis e das responsabilidades familiares, os sentimentos de inquietação, um menor envolvimento sexual, um aumento da tensão financeira e a presença de barreiras comunicativas e de pensamentos de perda, morte e abandono. Note-se ainda que tanto os pacientes como os seus companheiros relatam elevados níveis de angústia e de comorbilidade psicológica em comparação com a população em geral (Fergus, & Gray, 2009; Northouse, & Peters-Golden, 1993; Northouse, Templin, Mood, & Oberst, 1998).
Deste modo, é indispensável que o casal, conjuntamente, descubra qual a melhor forma de enfrentar o stress e a sobrecarga. Sendo que consideráveis evidências empíricas demonstram que uma comunicação aberta e construtiva, caracterizada pelo conhecimento do problema e pela partilha dos sentimentos mais profundos, envolvendo o parceiro nas discussões e tomadas de decisão (active engaging), fomenta a adaptação ao cancro e está associada a uma maior satisfação e adaptação conjugal (Hagedoorn, Sanderman, Bolks, Tuinstra, & Coyne, 2008).
Contrariamente, não falar da experiência associada à doença e proteger o parceiro das preocupações, escondendo-lhe problemas (protective buffering), aumenta o risco de angústia e desgaste, estando associado a uma menor satisfação relacional (Hagedoorn et al., 2008). Outra situação passível de ocorrer é a inexistência de reciprocidade em relação à comunicação, ou seja, somente um dos membros do casal desejar comunicar com o outro sobre a doença oncológica, o que poderá originar um problema de ajustamento entre a díade (Kornblith et al., 2006).
Na realidade, o modo como o casal enfrenta esta situação de crise está determinada, em grande medida, pelo seu funcionamento anterior, ou seja, pela qualidade da relação antes do diagnóstico da doença (Kornblith et al., 2006; Manne, 1994). De salientar ainda que os conflitos/tensões conjugais são indubitavelmente mais prejudiciais para a relação, comparativamente com os benefícios resultantes das trocas de apoio (Fergus, & Gray, 2009).
Pode-se então concluir que a doença não é apenas uma ameaça ao bem-estar psicoemocional e psicossexual do doente, na medida em que requer um grande ajustamento por parte deste, do seu companheiro e do casal enquanto díade (Barradas, & Fradique, 2009).
Por Joana Teixeira 
Estudante do Mestrado em Psicologia Clínica e da Saúde da Faculdade de Psicologia e de Ciências da Educação da Universidade do Porto (estagiária curricular na Unidade de Psico-Oncologia da Liga Portuguesa Contra o Cancro – Núcleo Regional do Norte)

Referências Bibliográficas:
Barradas, S., & Fradique, F. (2009). Avaliação da Qualidade de Vida e Ajustamento Diádico em Mulheres com Cancro Ginecológico e de Mama. Dissertação de Mestrado, Faculdade de Psicologia e de Ciências da Educação da Universidade de Lisboa, Lisboa, Portugal.
Fergus, K. D., & Gray, R. E. (2009). Relationship vulnerabilities during breast cancer: patient and partner perspectives. Psycho-Oncology, 18 (12), 1311-1322.
Hagedoorn, M., Sanderman, R., Bolks, H. N., Tuinstra, J., & Coyne, J. C. (2008). Distress in couples coping with cancer: A meta-analysis and critical review of role and gender effects. Psychological Bulletin, 134 (1), 1-30.
Kornblith, A., Regan, M., Kim, Y., Greer, G., Parker, B., Bennet, S., & Winer, E. (2006). Cancer-related communication between female patients and male partners scale: a pilot study. Psycho-Oncology, 15, 780-794.
Manne, S. (1994). Couples coping with cancer: Research issues and recent findings. Journal of Clinical Psychology in Medical Settings, 1 (4), 317-330.
Northouse, L. L., & Peters-Golden, H. (1993). Cancer and the family: Strategies to assist spouses. Seminars in Oncology Nursing, 9, 74 - 82.
Northouse, L. L., Templin, T., Mood, D., & Oberst, M. (1998). Couples adjustment to breast cancer and benign breast disease: A longitudinal analysis. Psycho-Oncology, 7, 37–48.

18 de março de 2013

Psico-oncologia de que falamos?                       
Como podemos aferir, a componente psicológica na compreensão do desenvolvimento do cancro, na adaptação ao mesmo e no seu tratamento é cada vez mais reconhecida. Existindo mesmo uma subespecialidade científica, a psicologia oncológica ou psico-oncologia, que se debruça sobre a investigação e a intervenção nas perturbações psicossociais associadas ao diagnóstico e tratamento do doente com cancro, da sua família e do serviço de saúde (Holland, 1989, citado por Pereira & Lopes, 2005). Do ponto de vista histórico vale a pena lembrar que, desde a Antiguidade, o cancro tem sido associado a estados emocionais, embora apenas nos nossos dias essa associação tenha adquirido mais clareza, bem como a necessidade de combinar tratamento do cancro com cuidados psicológicos (Veit & Carvalho, 2008).
A psico-oncologia é relativamente recente e constitui-se numa área do conhecimento da psicologia da saúde (Veit & Carvalho, 2008), que se desenvolveu com base na necessidade de interligar conhecimentos, estudos e interesses da oncologia e da psicologia para estudar as dimensões psicológicas presentes no diagnóstico de cancro (Neme, 2010). De modo semelhante, Gimenes (1994, citado por Carvalho, 2002; Júnior, 2001; Veit, & Carvalho, 2008) define psico-oncologia como uma área de interface entre a oncologia e a psicologia, tomando por base conceções de saúde e doença inerentes ao modelo biopsicossocial que se ocupa com a (1) identificação do papel de fatores psicossociais, tanto na etiologia quanto no desenvolvimento da doença; (2) a identificação de fatores de natureza psicológica envolvidos na prevenção e reabilitação do doente oncológico; (3) e com a sistematização de um corpo de conhecimentos que possa fornecer informação tanto à assistência integral do paciente oncológico e de sua família, como também à formação de profissionais de saúde envolvidos no tratamento.
Tendo em consideração as investigações efetuadas ao longo do tempo, compreende-se que o acompanhamento psicológico não só do paciente oncológico, como também dos seus familiares, em todas as etapas do tratamento, reveste-se numa componente indispensável do processo oncológico (Bearison & Mulhern, 1994; Carvalho, 1994; Dahlquist, Czyzewski & Jones, 1996; Gimenes, 1996 citados por Júnior, 2001). Neste sentido, a psiconeuroimunologia tem vindo a confirmar que estados psicológicos “saudáveis” poderão ser promissores de uma evolução mais positiva da doença, uma vez que se o doente estiver fragilizado psicológica e emocionalmente o sistema imunitário ficará igualmente frágil, não respondendo de modo tão favorável aos tratamentos (Tapadinhas, & Ribeiro, 2004).
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Referências Bibliográficas:
Carvalho, M. M. (2002). Psico-oncologia: história, características e desafios. Psicol. USP, 13, 1, 151-166.
Junior, A. L. C. (2001). O desenvolvimento da psico-oncologia: implicações para a pesquisa e intervenção profissional em saúde. Psicologia cienc. prof.21, 2, 36-43.
Neme, C. M. B. (2010). Pisco-oncologia: caminhos e perspectivas. São Paulo: Summus editorial.
Pereira, M. G., & Lopes, C. (2002). O doente oncológico e a sua família. Lisboa: Climepsi editores.
Tapadinhas, A. R., & Ribeiro, J. L. (2004). Estratégias de coping face ao adoecer da mama: estudo com o questionário Brief COPE. In J. Ribeiro & I. Leal (Eds.), A psicologia da saúde num mundo em mudança: resumos do 5º congresso nacional de psicologia da saúde (pp. 545-550). Lisboa: Sociedade Portuguesa de Psicologia da Saúde.
Veit, M. T., & Carvalho,V. A. (2008). Psico-oncologia: definições e área de atuação. In V. A. Carvalho, etal. (Eds.), Temas em Psico-Oncologia (pp. 15-19). São Paulo: Summus.

1 de março de 2013

turning around with psycho-oncology the blog             
O espaço "turning around with psycho-oncology" nasce de uma partilha de ideias entre duas "caçulas" daquilo que é a prática da psicologia clínica em contexto de saúde e da crença de que o conhecimento é algo que nos reveste enquanto seres humanos. For what? Para quê? Não mais do que uma forma de partilha e de comunicação social. Um espaço escolhido para abordar toda uma série de temáticas que enviesadas pelo nosso olhar, serão destacadas como as mais prementes a cada momento. No fundo, será apenas uma resenha que tem como objetivo permitir dar continuidade a algumas vivências, significados consumados e diálogos trauteados. Esta contemplação pela "psycho-oncology", surge da fusão da admiração quer pela psicologia, quer pela oncologia, com ênfase na aquisição prévia da importância desta unificação.