15 de fevereiro de 2014

Dia Internacional da Criança com Cancro                 
Apesar dos vários avanços na área da oncologia em termos da melhoria dos tratamentos, da taxa de sobrevivência dos doentes e dos cuidados prestados aos mesmos, a verdade é que ainda hoje o diagnóstico de cancro é com regularidade associado à inevitabilidade da morte e a sentimentos mais negativos (Malta, Schall, & Modena, 2008). O cancro pediátrico como sendo uma realidade comum e que cada vez mais famílias ultrapassam (Fletcher, 2010; Godinho, 2010; Terracini, 2011) não é exceção. Este acontecimento de vida requer uma readaptação e ajustamento a uma nova realidade conduzindo a um conjunto alargado de transformações psicossociais significativas (ex. alteração das suas rotinas, comportamentos alimentares e de higiene) o que conduz com frequência a um desgaste físico e emocional (Kohlsdorf, & Junior, 2012). Ainda assim, o recurso ao acompanhamento psicológico é pouco procurado pelos implicados no processo (ex. criança, pais e familiares), podendo este ter aqui um papel fundamental na mediação destes sentimentos, pelo esclarecimento de algumas dúvidas, pela facilitação da expressão emocional e atenuação da mesma, tal como pelo auxílio no desenvolvimento de estratégias que possam permitir a resolução de problemas.

Figura 1 -  Imagem divulgada pela Associação ACREDITAR para sensibilização da
população para a temática do Cancro Infantil

Referências bibliográficas:
Fletcher, P. C. (2010). My child has cancer: the costs of mothers' experiences of having a child with pediatric cancer. Issues in Comprehensive Pediatric Nursing, 33, 164-184. Doi: 10.3109/01460862.2010.498698
Godinho, F. A. F. (2010). Efeitos a médio/longo prazo da doença oncológica na infância e adolescência. Dissertação de Mestrado em Oncologia Pediátrica, Faculdade de Medicina da Universidade do Porto, Porto, Portugal.
Kohlsdorf, M., & Junior, Á. (2012). Impacto psicossocial do câncer pediátrico para pais: revisão da literatura. Paidéia, 22 (51), 119-129.
Malta, J. D. S., Schall, V. T., &, Modena, C. M. (2008). Câncer pediátrico: o olhar da família/cuidadores. Pediatria Moderna, 44 (3), 114-118.
Terracini, B. (2011). Epidemiology of childhood cancer. Environmental Health, 10 (1), 1-3. Doi: 10.1186/1476-069X-10-S1-S8

4 de fevereiro de 2014

Dia Mundial Contra o Cancro                             
Como se tem vindo a constatar ao longo dos anos, nos países industrializados o cancro é uma das principais causas de morte, tornando-se assim um foco de grande atenção e cuidado (Pinheiro, Tyczynsky, Bray, Amado, Matos, & Parkin, 2003; Pimentel, 2006; Ribeiro, 2005). Inclusive tem-se verificado um progressivo aumento da incidência e mortalidade devido ao cancro (Davide, 2009; Pimentel, 2006). Portugal faz parte do grupo de países que nos últimos anos sofreu grandes alterações ao nível do estilo de vida, o que acabou por fazer emergir a adoção de alguns hábitos mais favoráveis ao desenvolvimento de cancro (Pinheiro, Tyczynsky, Bray, Amado, Matos, & Parkin, 2003; Pimentel, 2006). Segundo Pimentel (2006), em 25 estados membros da União Europeia, no ano 2000 foram confirmados 1.122.000 mortos por cancro, sendo esperado para 2015 um aumento de 283 mil novos diagnósticos e em 2020 aproximadamente 20 milhões de novos casos diagnosticados. De modo bastante semelhante, em Portugal o cancro também tem registado anualmente entre 40 a 45 mil novos diagnósticos, com uma pequena prevalência no sexo masculino (Davide, 2009; Pimentel, 2006). Em termos dos tipos de cancro mais comuns, o cancro coloretal surge como o principal, seguindo-se o cancro da próstata, da mama, do pulmão e do estômago (Borja-Santos & Piteira, 2014; Ribeiro, & Ramos, 2002 citado por Pimentel, 2006 - cf. Figura 1).
Considerando a probabilidade de um indivíduo desenvolver algum cancro ao longo da sua vida estima-se para Portugal, à semelhança da União Europeia, um risco de 50% sendo que a possibilidade de ser esta a causa de morte de 25% (Pimentel, 2006). Apesar de se ter confirmado um ligeiro decréscimo em alguns tumores (cancro do estômago, mieloma múltiplo, cancro da próstata, do pulmão e do cólon e recto), em Portugal, as taxas de mortalidade ainda permanecem elevadas e com tendência para aumentar, o que é preocupante (Davide, 2009). Em 2005, registaram-se 107.839 mortes na população portuguesa, sendo que 21,5% foram causadas por cancro, apenas as doenças cardiovasculares com 34% de incidência superaram a doença oncológica (Davide, 2009). Relativamente aos distritos onde se constata uma maior taxa de mortalidade por cancro são Beja, Setúbal, Lisboa, Porto e Viana do Castelo. Estima-se também que até 2020, a incidência de cancro possa aumentar cerca de 20% (Davide, 2009).
Figura 1 -  Incidência e mortalidade por cancro em Portugal (Borja-Santos & Piteira, 2014)

Referências Bibliográficas:
Borja-Santos, R., & Piteira, S. (2014). Cancro em Portugal. Consultado em Fevereiro 4, 2014 do sítio da Web: http://www.publico.pt/multimedia/infografia/cancro-em-portugal-114
Davide, J. (2009). Estatísticas do cancro. Consultado em Outubro 10, 2012 do sítio da Web: http://www.alert.pt/pt/medical-guide/estatisticas-do-cancro
Pinheiro, P. S., Tycynski, J. E., Bray, F., Amado, J. Matos, E., & Parkin, D. M. (2003). Cancer incidence and mortality in Portugal. European Journal of Cancer, 39, 2507–2520. DOI: 10.1016/S0959-8049(03)00570-7
Pimentel, F. L. (2006). Qualidade de vida e oncologia. Coimbra: Almedina.

22 de janeiro de 2014

Cancro do pulmão e mesotelioma pleural            
Os pulmões são um par de órgãos em forma de cone responsáveis pelas trocas efetuadas ao nível da respiração. Estes são revestidos por uma pequena membrana que se designa de pleura. Existem três tipos principais de tumores, os tumores de pequenas células, os tumores de não pequenas células e o mesotelioma pleural consoante o local e as células envolvidas no seu desenvolvimento. Os cancros do pulmão (todos os tipos de tumores malignos) são o segundo cancro mais comum tanto em homens como mulheres (American Cancer Society, 2011).

Tumores do pulmão de pequenas células
O cancro do pulmão de pequenas células desenvolve-se nos brônquios centrais e cresce mais rapidamente, tendo maiores probabilidades de se metastizar para outros órgãos (American Cancer Society, 2011; Portal de Oncologia Português, 2012; The Oncology Institute of Hope and Inovation, 2007). Com grande regularidade, numa fase inicial da doença, este cancro é assintomático e, por esta razão, quando detetado (na maioria das vezes) já se encontra numa fase bastante avançada. Ainda assim os principais sintomas relacionam-se com uma tosse ou rouquidão persistente, falta de ar, dor no peito, expetoração com expulsão de sangue, nódulos ou inchaço da face e do pescoço, perda de apetite, perda de peso sem motivo aparente, cansaço e fadiga anormal, infeções respiratórias repetidas, entre outros. Os exames de diagnóstico mais frequentes relacionam-se com as radiografias, biopsia pulmonar e a broncoscopia (American Cancer Society, 2011; Bower, & Waxman, 2006; Gampbel, 2008; Portal de Oncologia Português, 2012; The Oncology Institute of Hope and Inovation, 2007).  
O consumo de tabaco é sem sombra de dúvida o principal fator envolvido no desenvolvimento deste tipo de cancro (responsável por aproximadamente 85% dos casos), seguindo-se outros fatores como a exposição a asbestos e metais pesados, poluição do ar e poluição industrial (American Cancer Society, 2011; Bower, & Waxman, 2006; Gampbel, 2008; Portal de Oncologia Português, 2012; The Oncology Institute of Hope and Inovation, 2007).
Como referido anteriormente, este tipo de cancro tende a difundir-se rapidamente tornando-se a cirurgia uma opção de tratamento pouco indicada. Sendo neste caso mais frequente o recurso a quimioterapia, uma vez que, estas células parecem ser mais sensíveis a esta intervenção (American Cancer Society, 2011; Bower, & Waxman, 2006; Gampbel, 2008).

Tumores do pulmão de não pequenas células
O tumor do pulmão de não pequenas células é o cancro do pulmão mais frequente sendo responsável por 85 a 90% dos casos. Este é constituído por alguns subtipos consoante as células onde se desenvolvem, assim temos: o carcinoma de células escamosas ou carcinoma epidermoide (cerca de 25 a 30% de incidência), o adenocarcinoma (cerca de 40% de incidência) e o carcinoma das grandes células (10-15% de incidência). Tendo em conta os principais sintomas e fatores de risco para o desenvolvimento deste tipo de cancro estes são semelhantes ao cancro do pulmão das pequenas células (Bower, & Waxman, 2006).
Tal como constatamos no cancro do pulmão das pequenas células estes tipos de cancro difundem-se rapidamente o que torna a cirurgia uma opção de tratamento pouco indicada. Nestes casos é mais frequente o recurso à radioterapia. Já a quimioterapia tem um impacto menor neste tipo de tumor, sendo por isso menos recorrente (Bower, & Waxman, 2006).

Mesotelioma Pleural 
O mesotelioma maligno é um cancro que se desenvolve nas células que revestem alguns órgãos do nosso organismo, especialmente no peito ou no abdômen. O revestimento constituído por este tipo de células designa-se de mesotélio. Este ajuda a proteger os órgãos, produzindo um líquido lubrificante especial que permite o movimento dos órgãos (ex. nos pulmões este fluido torna mais fácil o movimento no interior do tórax para efetuarmos a respiração). Deste modo, o cancro no mesotelioma pleural relaciona-se com o desenvolvimento de células cancerígenas nas células que revestem os pulmões (American Cancer Society, 2011).
Os pacientes apresentam como sintomas frequentes efusões pleurais, dor na parte inferior das costas ou no lado do peito, falta de ar, tosse, febre, transpiração, fadiga, perda de peso, dificuldade em engolir, rouquidão, tal como inchaço do rosto e dos braços. Sendo que a forma mais eficaz de diagnóstico a radiografia ao tórax, podendo posteriormente recorrer-se a uma biopsia pleural (American Cancer Society, 2011; Bower, & Waxman, 2006).
Quanto ao tratamento para esta patologia estes são limitados, uma vez que, a quimioterapia é ineficaz e a radioterapia só é útil no controlo da dor. Assim, recorre-se com frequência a múltiplas pleuroses (procedimento realizado para gerar uma obliteração artificial do espaço pleural) – Bower, & Waxman, 2006.

Referências bibliográficas:
American Cancer Society (2011). Learn about cancer. Consultado em Outubro 8, 2012 do sítio da Web: http://www.cancer.org/cancer/index
Bower, M., & Waxman, J. (2006) Compêndio de oncologia. Lisboa: Instituto Piaget.
Gampbel, O. (2008). Câncer do pulmão. In V. A. Carvalho, et. al. (Eds.), Temas em Psico-Oncologia (pp. 130-133). São Paulo: Summus.
Portal de Oncologia Português (2012). O que é o cancro? Como tem origem o cancro? Consultado em Outubro 18, 2012 do sítio da Web: http://www.pop.eu.com/portal/publico-geral/o-cancro2.html
The Oncology Institute of Hope and Innovation (2007). Types of cancer. Consultado em Outubro 8, 2012, do sítio da Web: http://theoncologyinstitute.com/?pgid=10&parid=0&rid=10&lang=1  

16 de dezembro de 2013

Um olhar sobre os profissionais de saúde                                              
Ao longo da nossa vida e do nosso quotidiano é comum cuidarmos de alguém, ora dos nossos pais, ora dos nossos amigos, ora dos nossos companheiros, ora dos nossos filhos ou mesmo através da profissão ou ação de voluntariado de um conjunto alargado de indivíduos. Como podemos facilmente compreender quando falamos de cuidado temos inerente, desde logo, a existência de uma pessoa que assume o papel de cuidador e de outra que assume o papel de cuidado, sendo que cada um dos elementos da relação tem as suas singularidades (Liberato, & Carvalho, 2008), levantando-se, não raras vezes, a questão: “então e quem é que cuida do cuidador?”.
Quando transportamos esta questão para a doença oncológica, percebemos que, comummente, as atenções tendem a estar (mais) focadas no apoio ao doente, ao cuidado, e menos ao cuidador (Liberato, & Carvalho, 2008). Contudo, este último também sofre, uma vez que, todos aqueles que lidam direta ou indiretamente com o doente tendem a “vivenciar” o mesmo processo, ainda que, de forma paralela (Pereira & Lopes, 2005).
E os profissionais de saúde constituem um verdadeiro exemplo disso! Enquanto equipa que trabalha constantemente com o doente oncológico, estes elementos precisam de atenção pois, além de estarem sujeitos, diariamente, a um conjunto de exigências instrumentais e emocionais, lidam com uma grande pressão psicológica. Assistem ao desespero, ao sofrimento físico, ao medo, à proximidade da morte, à injustiça, ao sentimento de revolta, ao inadiável fim da vida, a um conjunto alargado de sentimentos intensos manifestados pelos doentes oncológicos (Liberato, & Carvalho, 2008). Parecendo assim evidente que, por muito que se procure o chamado “alheamento” técnico, dificilmente alguém conseguirá ficar absolutamente indiferente a todos estes sentimentos manifestos pelo outro que, em tantos momentos, se nos torna tão próximo (Liberato, & Carvalho, 2008). Deste modo, segundo a literatura, acredita-se que à semelhança do próprio doente oncológico, a expressão emocional do profissional se revela como um aspeto fundamental (Liberato, & Carvalho, 2008), na medida em que, funciona como fator protetor na prevenção da origem e desenvolvimento de algumas problemáticas, hoje já tão frequentes, como são exemplo, o esgotamento psicológico e o síndrome burnout.

Referências bibliográficas:
Liberato, R. P., & Carvalho, V. A. (2008). Estresse e síndrome de burnout em equipas que cuidam de pacientes com câncer: cuidando do cuidador profissional. In V. A. Carvalho, et. al. (Eds.), Temas em Psico-Oncologia (pp. 556-571). São Paulo: Summus.
Pereira, M. G., & Lopes, C. (2005). O doente oncológico e a sua família. Lisboa: Climepsi editores.

11 de setembro de 2013

Cancro da mama                                             
O cancro da mama é das neoplasias malignas mais frequentes atualmente (Costa, 2004 citado por Melo, Leal, & Maroco, 2006). Ainda assim, a maioria das pessoas com cancros detetados numa fase inicial do seu desenvolvimento sobrevive pelo menos cinco anos (American Câncer Society, 2001 citado por Tonich, & Helgeson, 2004), ou seja, apenas um terço das mulheres diagnosticadas com cancro da mama morrem da doença (American Câncer Society, 2010 citado por Oktay, Bellin, Scarvalone, Appling, & Helzlsouer, 2011). No entanto, o cancro da mama continua a ser “de longe a forma de cancro e a causa de morte mais comum nas mulheres” (Ogden, 2004, p. 23). A idade é o maior fator de risco, sendo que a probabilidade de desenvolver cancro da mama aumenta à medida que as mulheres envelhecem. A exposição prolongada ao estrogénio, como o início precoce da menstruação (antes dos 12 anos), o início tardio da menopausa (depois dos 55 anos), a idade tardia do primeiro parto (30 anos ou mais), nunca ter tido filhos, ou o excesso de peso depois da menopausa, são outros fatores de risco (Ogden, 2004). Contudo, apesar de a investigação ter identificado estes fatores de risco, as equipas médicas especializadas (até ao momento) ainda não são conseguem detetar se uma mulher desenvolverá cancro da mama. 
É importante referir que apesar de ser mais frequente este cancro surgir nas mulheres, não se pode ignorar a evidência de que também ocorre nos homens, ainda que com uma menor incidência.
Existem dois tipos principais de cancro da mama: os não invasivos (cancros restringidos aos ductos ou lóbulos (constituintes da mama), que não se espalharam para além da camada de tecido onde se desenvolveram) e os invasivos (cancros que começaram a espalhar-se para o tecido circundante) – Ogden, 2004.
Em termos de diagnóstico considera-se que existem quatros estádios de diagnóstico (Holland, 1998b; Passos Coelho, 2006; Wittekind et al., 2005 citado por Patrão, 2007). No primeiro estádio, ainda não há extensão da doença além da mama e o tumor não tem mais de 2 centímetros de tamanho. O segundo carateriza-se pela existência de metástases nos gânglios linfáticos móveis e o tamanho do tumor situa-se entre os 2 e os 5 centímetros. Já no terceiro estádio, o tumor tem mais do que 5 centímetros e verificam-se metástases nos gânglios linfáticos. Por fim, o quarto estádio caracteriza-se pela existência de um tumor com qualquer tamanho e com extensão direta à parede torácica ou à pele, havendo metástases noutros órgãos. À medida que os estádios progridem, o prognóstico piora (Patrão, 2007).
As opções de tratamento passam pela cirurgia, radioterapia, quimioterapia, terapia hormonal e imunoterapia, podendo os tratamentos serem locais ou sistémicos. A cirurgia e a radioterapia são tratamentos locais, usados para remover, destruir ou controlar as células cancerosas de uma área específica; a quimioterapia e as terapias hormonais e biológicas são tratamentos sistémicos usados para destruir ou controlar as células cancerosas em todo o corpo (Bower, & Waxman, 2006; Ogden, 2004). No caso da cirurgia, pode optar-se pela nodulectomia (é removido apenas o nódulo canceroso), pela quadrantectomia (é removido um quarto de mama), ou pela mastectomia (toda a mama é removida). Quanto à reconstrução da mama, algumas mulheres querem a reconstrução imediata da mesma (através da inserção de implantes), enquanto que outras querem evitar mais uma operação e satisfazem-se com o uso de próteses no lado vazio do sutiã (Ogden, 2004).

Referências Bibliográficas:
Bower, M., & Waxman, J. (2006) Compêndio de oncologia. Lisboa: Instituto Piaget.
Melo, V., Leal, I., & Maroco, J. (2006). Estudo preliminar de um questionário de PTSD em mulheres sobreviventes de cancro da mama. In I. Leal, J. P. Ribeiro, & S. N. Jesus (Eds.), Saúde, bem-estar e qualidade de vida: actas do 6º congresso nacional de psicologia da saúde (pp. 407 – 413). Faro: Instituto Superior de Psicologia Aplicada.
Ogden, J. (2004). Compreender o cancro da mama. Lisboa: Climepsi Editores.
Oktay, J. S., Bellin, M. H., Scarvalone, S., Appling, S., & Helzlsouer, H. J. (2011). Managing the impact of posttreatment fatigue on the family: breast cancer survivors share their experiences. Families, Systems, & Health, 29, 2, 127–137. DOI: 10.1037/a0023947
Patrão, I. (2007). O ciclo psico-oncológico no cancro da mama: estudo do impacto psicossocial do diagnóstico e dos tratamentos [versão online]. Lisboa: Universidade Nova de Lisboa Instituto Superior Psicologia Aplicada. Tese de doutoramento.
Tomich, P. L., & Helgeson, V. S. (2004). Is finding something good in the bad always good? benefit finding among women with breast cancer. Health Psychology, 23, 1, 16-23. DOI: 10.1037/0278-6133.23.1.16

11 de julho de 2013

Intervenção psicológica no luto em oncologia                      
A palavra luto deriva do latim “luctus”, que significa “dor, pesar, aflição”. Apesar de ser na sua maioria das vezes associada apenas à reação perante a morte de um ente querido, o luto engloba também outro tipo de perdas, como separações familiares, o fim de uma relação amorosa ou a perda do estatuto de pessoa saudável devido ao diagnóstico de uma doença grave.
Perante o diagnóstico de cancro, o doente entra habitualmente num processo de luto pela perda da sua funcionalidade e autonomia, dos seus sonhos e esperanças e de um futuro com os seus entes queridos (Rando, 1986). Quando a doença progride até ao momento em que não existe a possibilidade de cura, o doente oncológico e os seus familiares enfrentam também um luto antecipatório, que diz respeito ao total de reações cognitivas, afetivas, sociais e culturais a uma morte esperada (Knott & Wild, 1986; Rando, 2000). Aqui, o doente terá que se adaptar a uma série de mudanças emocionais, sociais, espirituais, físicas, cognitivas e comportamentais, designadamente, reconhecer e adaptar-se às múltiplas perdas, pensar constantemente sobre o passado, desvincular-se da família e amigos e passar por períodos de tristeza, choro ou ansiedade (Periyakoil & Hallenbeck, 2002). Por sua vez, a família deverá partilhar entre si conhecimentos sobre a realidade de uma morte próxima e a experiência da dor do luto (Rosen, 1990). Além disso, a família fará nesta altura uma reorganização do sistema familiar e os seus objetivos serão também redirecionados.
O luto é vivenciado pelas pessoas de diferentes formas, na sua expressão e duração. Contudo, a literatura sobre o tema sugere que a maioria dos indivíduos demora entre um a dois anos a recuperar do processo de luto – considera-se que este processo foi bem resolvido quando a pessoa enlutada consegue falar no ente querido sem sentir dor, reajustar-se a um ambiente do qual o falecido já não faz parte e estabelecer novos vínculos com outras pessoas (Parkes, 1971; Stroebe, Stroebe & Domittner, 1988; Worden, 2003). Além disso, no período de um ano o indivíduo enlutado passa por todas as festividades e acontecimentos significativos na família (ex. aniversários, Natal, Páscoa, entre outros), pelo que habitualmente a pessoa não recupera o seu funcionamento habitual num período de tempo inferior a este.
Em suma, as reações ao luto são muito diversas e a maioria das pessoas não regressa à normalidade num período inferior a 12 meses. Além disso, e principalmente na doença oncológica, o processo de luto inicia-se muitas vezes antes da morte efetiva, pelo que as pessoas necessitam de tempo e espaço para se adaptarem a uma nova realidade. Aqui, os profissionais de saúde têm um papel preponderante, ao avaliarem a necessidade de um acompanhamento psicológico e/ou psiquiátrico ao doente e/ou aos seus familiares.

Por Susana Carvalho
Mestre em Psicologia Clínica e da Saúde pela  Faculdade de Psicologia e de Ciências da Educação da Universidade do Porto, Estagiária Profissional na Unidade de Psico-Oncologia da Liga Portuguesa Contra o Cancro  - Núcleo Regional do Norte.

Referências:
Knott, J., & Wild, E. (1986). Anticipatory grief and reinvestment. In T. Rando (ed.), Loss and Anticipatory Grief (pp. 55-60). New York: Lexington Books.
Parkes, C. (1971). The first year of bereavement. A longitudinal study of the reaction of London widows to the death of their husbands. Psychiatry, 33, 444–67.
Periyakoil, V., & Hallenbeck, J. (2002). Identifying and managing preparatory grief and depression at the end of life. American Family Physician, 65, 883–890, 897–898.
Rando, T. (1986). A comprehensive analysis of anticipatory grief: perspectives, processes, promises, and problems. In T. Rando (ed.), Loss and Anticipatory Grief (pp. 3-37). Massachusetts: Lexington Books.
Rando, T. (2000). Anticipatory mourning: what it is and why we need to study it. In T. Rando (ed.), Clinical Dimensions of Anticipatory Mourning: Theory and Practice in Working with the Dying, their Loved Ones, and their Caregivers (pp. 17-50). USA: Research Press.
Rosen, E. (1990). Families Facing Death: Family Dynamics of Terminal Illness. Massachusetts: Lexington Books.
Stroebe, W., Stroebe, M., Domittner, G. (1988). Individual and situational differences in recovery from bereavement: a risk group identified. Journal of Social Issues, 44, 143–58.
Worden, J. (2003). Grief counseling and grief therapy: a handbook for the mental health practitioner. New York: Brunner- Routledge.

15 de maio de 2013

Cancro colo-retal                                                      
O cólon e o reto são parte integrante do sistema digestivo. A função do sistema digestivo relaciona-se com o processamento e remoção dos nutrientes (ex. vitaminas) a partir dos alimentos, assim como com a eliminação dos resíduos desnecessários. Este sistema é então composto pelo esófago, estômago e intestinos delgado e grosso. A primeira parte do intestino é designada de intestino grosso ou cólon, já a parte posterior designa-se de reto e canal anal (cf. Figura 1).

Figura 1 - Constituição do intestino

Uma grande maioria dos cancros colo-retais desenvolvem-se lentamente e ao longo de vários anos, sendo que antes da existência de um cancro há, com frequência, o crescimento de um tecido no revestimento interno do cólon ou do reto, os designados pólipos não cancerosos. Alguns destes pólipos podem transformar-se em cancro, de notar que nem sempre tal acontece. Quanto às metástases há a possibilidade de as células cancerosas passarem para a corrente sanguínea ou para os vasos linfáticos (pequenos canais que carregam resíduos e líquidos) e desta forma instalarem-se noutras partes do corpo (ex. fígado) – American Cancer Society, 2011. Este tipo de cancro é uma das principais causas de morbidade no ocidente, sendo a terceira causa de morte em todo o mundo. Em Portugal, este cancro corresponde à segunda forma de cancro mais comum, com maior incidência nos homens (Bower, & Waxman, 2006; Evangelista, 2008; Portal de Oncologia Português, 2012).
Relativamente aos fatores que estão associados à origem deste cancro encontra-se o diagnóstico de colite ulcerosa, alguns fatores genéticos (polipose adenomatosa familiar e cancro colo-retal hereditário sem polipose), uma dieta alimentar baseada no consumo de carnes vermelhas, bem como o consumo de tabaco e de álcool. Estes pacientes em termos de sintomas apresentam um histórico de alterações de hábitos intestinais, sangramento retal, perda de peso e dores abdominais. Quanto aos exames de diagnóstico e prevenção é fundamental a colonoscopia, endoscopia, exame retal, testes sanguíneos, radiografia torácica, testes de função renal e hepática (American Cancer Society, 2011; Bower, & Waxman, 2006; Evangelista, 2008).
Ao nível dos tratamentos, à semelhança de outros cancros surge como fundamental a cirurgia (colectomia ou resseção abdominoperitoneal), em que o tumor é retirado juntamente com uma boa parte de tecido normal. Além disso, o tipo de cirurgia deve ser definido consoante o tumor e a sua localização. Os tumores com uma porção superior e da parte média do reto devem ser tratados com resseção anterior, já as lesões na parte inferior do reto devem ser tratadas por resseção abdominoperineal que requer uma colostomia permanente. Em termos das consequências da cirurgia pode surgir disfunção da bexiga, tal como disfunções sexuais nos homens (ejaculação retardada e impotência erétil). Sobre os tratamentos adjuvantes são recorrentes a quimioterapia e a radioterapia (Bower, & Waxman, 2006).

Referências bibliográficas:

American Cancer Society (2011). Learn about cancer. Consultado em Outubro 8, 2012 do sítio da Web: http://www.cancer.org/cancer/index
Bower, M., & Waxman, J. (2006) Compêndio de oncologia. Lisboa: Instituto Piaget.
Evangelista, J. (2008). Câncer Gastrointestinal. In V. Carvalho, et. al. (Eds.), Temas em Psico-Oncologia. São Paulo: Summus.
Portal de Oncologia Português (2012). O que é o cancro? Como tem origem o cancro? Consultado em Outubro 18, 2012 do sítio da Web: http://www.pop.eu.com/portal/publico-geral/o-cancro2.html